Eduardo Sampaio
1 - Há algum tempo o metal tem assistido a ascensão das chamadas ‘one man band’. O que de inicio foi visto com estranheza com o passar dos anos deu lugar a admiração. Face a face com tantos projetos do gênero as gravadoras resolveram abrir as suas portas para estes portadores de força criativa individual. Como você avalia a atitude, atual, das gravadoras em relação às ‘bandas de um só homem’?
Wolf Lutemkrat - Acredito que hoje em dia as gravadoras estão bem mais acessíveis devido à facilidade de contato através da internet, porém ainda há uma certa resistência em relação a esse tipo de projeto. Assim como algumas gravadoras que infelizmente priorizam a popularidade, e não a qualidade do material.
2 - Tendo em vista a sua escolha de lançar o debut álbum da Lutemkrat por uma gravadora ‘gringa’(mais precisamente a Bleak Art Records do Canadá). O objetivo preterido era realmente lançar no exterior primeiro? Ou essa atitude foi tomada por falta de oportunidade das gravadoras brasileiras?
Wolf Lutemkrat - Na verdade, desde o lançamento de “Never Surrender”, enviei poucas cópias para selos nacionais visando uma possível distribuição. O objetivo sempre foi lançar no exterior.
3 - Os avanços tecnológicos e o conseqüente aumento do número de pessoas usufruindo dos mesmos, possibilitaram, que tanto a Lutemkrat quanto outras bandas pudessem optar pela gravação caseira das composições. Quais as vantagens e desvantagens deste tipo de gravação? Há planos de ‘sair da toca’ e entrar em um estúdio maior?
Wolf Lutemkrat - Acho interessante estar por dentro de cada detalhe da gravação, mixagem e masterização. Por isso sempre optei por fazer a produção. Tenho contato com alguns estúdios e já recebi propostas para fazer gravação. Quem sabe em algum futuro lançamento, desde que tudo saia de minha maneira, mantendo a identidade do Lutemkrat.
4 - “Never Surrender”, primeiro trabalho da banda, foi gravado em algumas noites de afinco no seu estúdio caseiro. Conte-nos como foi o processo de gravação deste álbum e em quanto tempo ele foi concluído?
Wolf Lutemkrat - O processo todo foi concluído em apenas quatro dias. Foram três noites de gravação, onde tomei cuidado em prever os detalhes que pudessem facilitar na produção. O último dia foi dedicado à mixagem e masterização.
5 - Alguns Head Bangers optam, muitas vezes, por projetos ‘one man band’ por não terem afinidade com apresentações ao vivo. Este é o caso da ‘Lutemkrat’? (Se não for). Há esforços objetivando reunir integrantes para apresentações ao vivo?
Wolf Lutemkrat - Por enquanto não tenho a intenção de fazer apresentações ao vivo. Meu objetivo desde o início foi concentrar minhas idéias em um projeto que refletisse conceitos lírico-musicais. Então optei por fazer tudo sozinho, dessa forma não sofreria a influência de terceiros. Mas não tomei essa decisão por causa de problemas com afinidade.
6 - Poderia indicar para os nossos leitores alguns projetos ‘one man band’ da sua preferência?
Wolf Lutemkrat - Citar apenas algumas seria injusto, pois com certeza eu esqueceria ou não listaria outros grandes projetos.
7 - Vamos falar um pouco mais sobre “The Last Survivor”. Primeiro gostaria de elogiar a arte gráfica deste Cd, ficou realmente muito bem feita. A figura do lobo pode ser percebida tanto na capa quanto no encarte. Qual o motivo da ênfase dada a este animal? O que ele representa para você?
Wolf Lutemkrat - Obrigado. A arte faz um link entre o conceito visual e o conceito musical do disco. Foi muito importante resgatar de forma gráfica a subjetividade contextual, assim as mensagens lá contidas se tornaram mais fortes.
A figura do lobo é muito interessante, principalmente em se tratando na questão da sobrevivência. E essa mensagem é bem enfatizada, a começar pelo título “The Last Survivor”. Paralelo a isso, é possível perceber a conexão entre o comportamento do animal e a música em si.
8 - A atitude de inserir, em meio à atmosfera mordaz do Black Metal, passagens acústicas que, ao em vez, de restritas a ‘intros’ se embrenham entre as guitarras foi no mínimo atípica. Qual a sua intenção ao inseri-las? Como foi a reação do público, sobretudo, dos mais conservadores?
Wolf Lutemkrat - Até agora tenho recebido muitas críticas positivas. Minha intenção foi criar um clima de tensão, melancolia ou até mesmo tranquilidade, de acordo com a passagem lírica.
9 - Analisando o conjunto da obra, ou seja, a correlação entre temática lírica e execução instrumental. Pude perceber que sonoramente o álbum foi feito para soar épico. Já entre as letras, algumas são mais ‘desoladoras’ (contrastando com a parte elétrica do instrumental, mas, em perfeita sintonia com as partes acústicas) e outras seguem a tendência épica do Cd. Essa ‘alternância’ foi proposital? Aonde você busca inspiração para compor?
Wolf Lutemkrat - Com certeza. Há uma linha de pensamento que conecta cada faixa e toda essa dinâmica que faz com que se torne épico. A maior fonte de inspiração são as experiências e situações que passei em minha vida: tento transformá-las em algo subjetivo, assim as pessoas podem aplicar em sua própria realidade, dando abertura a interpretação.
10 - Na faixa final deste Cd nota-se uma mensagem encorajadora e interessante: “Fight for life/ Fight to survive/ Fight until death/ Or be tortured alive”. Na sua visão pessoal até que ponto a ‘luta’ é válida?
Wolf Lutemkrat - Até o momento em que é possível realizar algum objetivo pessoal, sem deixar de ser você mesmo, sem abandonar sua essência.
11 - Como tem sido a resposta dos Bangers e da mídia especializada a respeito de “The Last Survivor” (ressaltando, sobretudo, à diferença entre a resposta nacional e internacional)?
Wolf Lutemkrat - Até agora estou bastante satisfeito com a repercussão. Mas como já era de se esperar, o material tem recebido maior apoio fora do Brasil.
12 - Falando um pouco mais sobre o futuro. Já há planos para algum novo lançamento? (se houver) Continuam com a Bleak Art Records?
Wolf Lutemkrat - Já tenho algumas composições, algumas idéias em andamento. Espero conseguir lançar algo no ano que vem. Até o momento, o selo Bleak Art Records tem sido uma grande parceria. Há possibilidade de lançar mais algum material com eles, mas apenas o tempo irá responder.
13 - Fazendo uma singela auto-analise. Quais os pontos que melhoraram e quais ainda precisam ser aperfeiçoados na trajetória da banda?
Wolf Lutemkrat - Acredito que estou seguindo para um estilo peculiar, definindo a identidade do Lutemkrat. Quanto aos pontos a melhorar, acredito que sempre temos algo novo a aprender e evoluir. Essa evolução já aconteceu de um lançamento para o outro. Espero superar mais desafios no próximo lançamento.
14 - Gostaria de dizer que foi um grande prazer ouvir o material e entrevistar mais um grande talento do underground nacional. Desejo a Lutemkrat vida longa! Pode contar sempre com o nosso suporte. Para finalizar deixe uma mensagem para os Bangers leitores do Metal Vox:
Wolf Lutemkrat - Obrigado pelo apoio. Para conhecer um pouco mais do trabalho, acesse o site (www.lutemkrat.com) e o myspace (www.myspace.com/lutemkrat). Never Surrender!

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